#callfor Economia Política da Desinformação (revista EPTIC)

Fecha/Hora
Date(s) - 29/10/2020
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Universidade Federal de Sergipe

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A REVISTA EPTIC, produzida pelo Observatório de Economia e Comunicação (OBSCOM) da Universidade Federal de Sergipe (UFS), informa que está aberta a chamada de artigos para o Dossiê Temático da edição Jan-abr. de 2021, com o tema “Economia Política da Desinformação”, que será coordenado pelos professores Marco Schneider (UFF e Ibict) e Jonas Valente (UnB). Os trabalhos deverão ser enviados até 30 de outubro de 2020. A revista também recebe artigos em fluxo contínuo para a seção “Artigos e ensaios”.

Confira a ementa do Dossiê Temático “Economia política da desinformação”

A Revista Eptic abre chamada de trabalhos para o dossiê temático sobre “Economia Política da Desinformação”. O tema ganhou visibilidade tanto no ambiente acadêmico quanto no debate público a partir das denúncias de influência de conteúdos desinformativos em processos políticos, econômicos e sociais, em geral relacionada à estratégia de atuação contemporânea da extrema direita, em um contexto de convergência de crises do sistema capitalista. A desinformação foi apontada como fator importante nas eleições dos Estados Unidos em 2016, do Brasil em 2018 (GALHARDO, 2018) e no referendo do Brexit, em 2016 (CADWALLDR, GRAHAM-HARISSON, 2018).

Essa proliferação tem se tornado cada vez mais constante e impactante para além das eleições. Provocou, por exemplo, ondas de linchamento na Índia (SAFI, 2018) e de violência em Mianmar em 2018 (MOZUR, 2018). A pandemia do novo coronavírus também evidenciou o fenômeno, com autoridades internacionais e nacionais de saúde indicando os prejuízos de informações falsas e curas milagrosas espalhadas pela Internet.

O fenômeno ficou mais conhecido pelo termo popularizado das “fake News”. Alcott e Gentzkow (2017, p. 213) caracterizam “fake news” como “artigos de notícias que são falsos intencionalmente ou passíveis de verificação e podem confundir leitores”. Mas tanto na academia quanto em organismos internacionais (como a União Europeia ou no debate legislativo sobre o tema em curso no Brasil) o conceito mais aceito passou a ser o de “desinformação”.

Tandoc Jr. et al. (2018) traçam um histórico registrando como o termo “fake news” foi empregado para nominar diferentes finalidades, como paródia, sátira, conteúdo fabricado, manipulação, publicidade e propaganda política, mas ganhou conotações distintas, indo de um termo explicativo a uma palavra da moda (buzzword), ao passo que o termo desinformação vem sendo tratado mais sistematicamente na academia, em suas diversas modalidades. Brito e Pinheiro (2015) exploram o conceito de desinformação com base na teoria e na prática da doutrina militar americana. Froehlich (2017) dialoga com a filosofia, a psicologia social e os novos estudos sobre agnotologia, ou produção social da ignorância.

Guess, Nyhan e Reifler (2018, p. 2) falam de “um novo tipo de desinformação política”, marcado por uma “dubiedade factual com finalidade lucrativa”. Lazer et al. (2018, p. 1094) definem o problema como “informação fabricada que imita notícias na forma mas não no processo organizacional ou no intuito”. Segundo Wardle e Derakhsan (2017), a desinformação envolveria conteúdo sabidamente falso, fabricado ou manipulado com intenção de gerar dano. Diversos estudos ressaltam a relação da desinformação com a busca por obtenção de ganhos políticos e econômicos, o que aproxima o problema ainda mais dos problemas tradicionalmente abordados pela Revista Eptic.

Embora a literatura sobre o tema tenha crescido nos últimos anos, boa parte dela se dedica à análise sobre a recepção e discussão sobre o nível de impacto nos processos políticos, especialmente eleitorais, bem como acerca das propostas e formas de regulação do fenômeno (SCHNELLENBACH, 2017). Apesar de haver um reconhecimento de novas formas de desinformação a partir da capacidade de difusão pelas plataformas digitais (VALENTE, 2019), ainda há pouca literatura relacionada à perspectiva da crítica da Economia Política da Informação, da Comunicação e da Cultura (EPICC) sobre o tema, com algumas exceções (HIRST, 2017).

A edição da Revista Eptic busca, por meio de seu dossiê temático, fomentar a análise sobre a desinformação sob a ótica da EPICC. A partir da percepção das atividades relacionadas a esse campo como práticas materiais em sua relação dialética com o sistema capitalista, a análise da desinformação pode apreender as influências dos modelos de negócio e estratégias concorrenciais, das estruturas de mediação social, das assimetrias de poder, das relações de classes e forças políticas vinculadas a esse fenômeno e às estruturas onde ele se dissemina, em especial as plataformas digitais.

São esperadas contribuições sobre:

– O papel das plataformas digitais, seus modelos de negócio e estratégias concorrenciais na desinformação

– A desinformação como negócio

– Desinformação e regimes de verdade

– O fenômeno da desinformação e estratégias contemporâneas de disputas políticas

– Desinformação e crise do capitalismo

– Economia política da anticiência: negacionismo do colapso ambiental e da saúde pública