#callfor Media, Populismo e Espaço Público: desafios contemporâneos (mediapolis)

Fecha/Hora
Date(s) - 31/05/2020
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Coimbra

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Nas últimas décadas, temos assistido ao crescimento de uma míriade de movimentos, partidos políticos e atores que articulam a política sob o método do populismo. A acentuada crise das democracias liberais, os escândalos de corrupção que diariamente chegam ao conhecimento público, a aplicação de medidas de austeridade, os problemas relacionados com as crises migratórias, ou a polarização política e social que, muitas vezes, instiga discursos de ódio, são um campo fertil para germinarem movimentos populistas, que encontram nas condições do novo ecossistema digital um espaço de comunicação, sem intermediação,  com o público.

Presente em vários momentos da história política do Ocidente, o populismo socorre-se de elaborações discursivas e moralistas simplistas para, desse modo, explicar e organizar a realidade: conceitos como vontade popular e interesse geral são usados para combater supostos inimigos do povo, geralmente identificados com a elite ou o establishment político ou os estrangeiros. De um lado a outro do espectro partidário, o populismo assume-se como um tipo de ideologia ou estilo de política que aposta no antagonismo entre partes da sociedade e na exploração de sentimentos de medo e de desencanto social.

Um pouco por toda a parte, a lógica populista tem interferido em diversos setores da vida democrática, influenciando o resultado de processos eleitorais e ameaçando o funcionamento de instituições políticas, judiciárias e mediáticas. Líderes como Donald Trump, nos Estados Unidos, ou Jair Bolsonaro, no Brasil, são apenas alguns casos emblemáticos de figuras que souberam conjungar o desencanto popular e as disfunções da democracia, explorando o potencial das novas tecnologias de informação e da comunicação, bem como os media sociais, para obter sucesso eleitoral por meio da disseminação de visões rudimentares e simplificadoras dos fenómenos sociais. Movimentos como o Brexit, no Reino Unido, e o surgimento de partidos de extrema-direita, como o Chega, em Portugal, ou a Frente Popular, em França, são igualmente exemplos de como o populismo funciona: nutre-se da estrutura do poder democrático para o fragilizar e ameaçar.

Os editores deste número, Bruno Araújo, do CEIS20 e do Programa de Pós-Graduação em Comunicação da Universidade Federal de Mato Grosso, e Hélder Prior, da Universidade Autónoma de Lisboa e do Programa de Pós-Graduação em Comunicação da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul,  convidam à submissão de artigos científicos ao número 12 da Mediapolis – Revista de comunicação, jornalismo e espaço público, sobre o tema Media, Populismo e Espaço Público: desafios contemporâneos e que  abordem os seguintes tópicos:

  • Contextualização histórica do populismo: populismo agrário; populismo latino-americano; nacional-populismo na Europa;
  • Visibilidade de atores populistas nos media tradicionais;
  • Enquadramentos de movimentos e de atores populistas na imprensa;
  • Movimentos antidemocráticos e autoritários nos media digitais;
  • Desintermediação, comunicação direta e redes sociais;
  • A afinidade eletiva entre o populismo e a comunicação da pós-verdade: desinformação e propaganda nos mediadigitais;
  • Algoritmos, filter bubblessocial media targeting e discurso de ódio;
  • Estilo de comunicação populista em contexto de campanhas eleitorais;
  • Populismo de esquerda versus populismo de direita;
  • Os impactes do populismo e as reconfigurações do espaço público.