#callfor Narrativas jornalísticas, testemunhos e subjetividades (Estudos em Jornalismo e Mídia)

Fecha/Hora
Date(s) - 30/08/2020
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Florianópolis

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+ info: Estudos em Jornalismo e Mídia

Consideramos, nessa chamada, a dimensão narrativa e política do jornalismo, a partir da experiência sensorial, física, social e afetiva do mediador-autor, nos termos da pesquisadora Cremilda Medina (2003). Vislumbramos então a ampliação do fazer jornalístico para além do seu papel meramente transmissor ou até mesmo mediador do real: nossa perspectiva é discutir o jornalismo que transforma e se deixa transformar, uma teoria-prática que reflete sobre o mundo enquanto reflete sobre si mesma.

Logo na Introdução do livro Media witnessing: Testimony in the age of mass communication, que contém vários capítulos específicos sobre o lugar do testemunho da mídia na atualidade, Paul Frosh e Amit Pinchevski (2009, p. 01) apontam a existência de um campo problemático gerado pelo “Testemunho da mídia” no processo interativo midiático, com três vertentes principais: “aparecimento de testemunhas em reportagens da mídia, a possibilidade de mídia testemunhando e o posicionamento do público da mídia como testemunhas de eventos representados”. Isso quer dizer que na contemporaneidade há uma efetiva ampliação do caráter testemunhal do jornalismo, questão que é tensionada, no sentido de refletir sobre relato e verdade, por  nomes como Sylvia Moreztshon (2007), Wilson Gomes (2009), Liriam Sponholz (2009) e  Beatriz Marocco (2015).

Outro aspecto relevante nesse contexto são os processos de subjetivação do real. Nesse sentido, também receberemos artigos que apresentem experiências jornalísticas que prevejam a subjetividade como um caminho para desestabilizar um jornalismo calcado em uma falsa universalidade e nas míticas ideias de isenção e imparcialidade. Mais: fissurar um jornalismo que deriva de uma perspectiva masculinista, racista, heterossexista, ocidentalista (GROSFOGUEL, 2012).  É importante entender a subjetividade para além do exercício de empatia e humanização: é ainda uma perspectiva profundamente política que entende as fraturas sociais, nacionais ou não, como determinantes na produção/narrativa noticiosa.

A partir desses eixos, estimulamos a produção de artigos que tratem dos seguintes temas:

Narrativas jornalísticas dissidentes, decoloniais e/ou pós-coloniais; narrativas em disputa no jornalismo atual; hegemonias discursivas nas coberturas de eventos/fenômenos traumáticos; o lugar do testemunho na produção jornalística; questões sobre ativismo, objetividade e subjetividade; análises problematizadoras sobre histórias de vidas, perfis e biografias; rupturas epistêmicas/práticas do jornalismo classista, machista, sexista, racista e heterossexista; a subjetividade como estratégia para a realização de um jornalismo que também reflita sobre si; consensos e dissensos nos processos interativos comunicacionais; jornalistas e problematizações sobre raça, gênero, classe e exclusão geográfica.