Mediações latino-americanas. As vozes das narrativas da revista Veja na construção de sentido político-ideológico regional, Antonio Sebastião da Silva (2020)

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Por que estudar narrativas? Luiz Gonzaga Motta nos sugere uma primeira razão: estudamos narrativas para entender quem somos. A vida pessoal ou pública, nossa identidade como povo, como nação, nossa narrativa está sempre desvelando conhecimentos, explicando acontecimentos. A partir dos relatos podemos compreender um pouco mais o ser humano em sua complexidade, em seu simbolismo.
Outra razão para estudar narrativas é compreender melhor nossa dependência da mediatização jornalística dos acontecimentos mundiais. No tocante às representações sobre a América Latina identificadas na revista Veja, elas constituem um sistema de valores e ideias coletivos que procuram estabelecer certa ordem de dependência, enquadrando os fatos sociais, culturais e políticos a partir de um ponto de vista globalizado que nos impõe uma nova ideologia de poder, supranacional.

Célia Maria Ladeira Mota
Trecho do Prefácio

As disputas política na América Latina nem sempre foram uma novidade, seja entre os governos regionais ou em grandes centros econômicos globais. A grande questão que norteou este livro diz respeito às vozes que se inserem como personagens dos veículos de comunicação, no sentido de formar pensamento político para resultados econômicos, o que, inexoravelmente, tem reflexo na cultura e no cotidiano das nações latino-americanas.
Considerando a importância das mediações nos tempos de globalização, o entendimento da produção narrativa do jornalismo seria uma forma de compreender a existência de consenso ordenado entre os agentes políticos e os efeitos globais na transformação social regional. Desse modo, as vozes que arregimentam as narrativas ganham fundamental importância nas análises, para a existência de uma matriz narrativa, na concepção de verdades e poder, que, substancialmente, definem-se em visão de mundo, ideologia. Nesta análise a revista Veja, ganha importância por sua inserção nas narrativas da política global, com fluidez entre outras mídias, com agendamento que ultrapassa o limite de sua publicação. Veículo brasileiro que sempre exerceu influência sobre a política regional, com efeitos na economia e representação cultural e territorial.
O método narrativo que lançamos mãos permitiu-nos acompanhar as estratégias dos narradores, de modo observar os procedimentos para configuração dos acontecimentos, na composição dos personagens, delimitando os espaços de poder simbólico para os protagonistas e antagonistas, na ordenação das metanarrativas, na tentativa de organização de matriz narrativa hegemônica. No final, definitivamente, há a intersubjetividade de grupos de personagens com poder, na configuração do narrador em uma referência à territorialidade, vozes autorizadas, legitimadas. Contudo, nas disputas num campo de conflitos sucessivos, há outras narrativas que seguem também roteiros, dando suporte a discurso numa interação com diversos interlocutores, para formação de significações, de maneira a definir a hegemonia de poder.

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